Vulnerabilidade. Fraqueza… Não, muita força!

O caminho é longo, mas (re)conhecer suas vulnerabilidades é a melhor saída para se aceitar e crescer.

De início, as pessoas associam ser vulnerável a ser fraco, inseguro, medroso ou incapaz. Isso está muito ligado à ansiedade de precisar ser perfeito e de ter só qualidades. Com isso, nós sufocamos nossas vulnerabilidades e as escondemos não só de nós mesmos, mas dos outros, quando editamos cada publicação nas redes sociais em busca de uma imagem quase celestial de felicidade e plenitude.

Mas se a gente mudar como encaramos as vulnerabilidades podemos enxergá-la como um caminho pro arco íris não pra tempestade. Ela é medo e insegurança ao mesmo tempo que é origem de alegria, pertencimento e amor. Sim, uma loucura! Ter a coragem de ser imperfeito é o caminho para ser gentil e ter compaixão consigo mesmo, se aceitar e diminuir angústias.

Quem consegue abraçar sua vulnerabilidade vira uma chave e vê na fraqueza uma oportunidade de melhora, crescimento e admiração. Fora que expor seus pontos baixos pode ser uma forma poderosa de conexão com outras pessoas. Vou usar uma frase que soa piegas, mas é real: ao conhecer suas amarras você se torna livre. Ou seja, é dando de cara com suas falhas que você as supera, é ficando forte e seguro de si que você não hesita em se conhecer fraco.

Mas o que raios é vulnerabilidade?

A vulnerabilidade existe em várias formas, podendo ser uma insegurança clara sobre o tamanho do seu nariz ou um incômodo difícil de entender quando você é preterido em uma relação, por exemplo. Normalmente, esse sentimento se camufla entre o que você é, o que você idealiza para você e o que você acha que seus pais, parceiros e amigos imaginam de você. É entre os buracos que distanciam essas visões que as vulnerabilidades se formam.

Não é algo fácil de explicar ou identificar, porque cada um tem o seu calcanhar de Aquiles. A vulnerabilidade varia de acordo com a experiência de vida, da criação, da interação com amigos, dos lugares onde se consome informação e até do padrão cultural da sociedade. Os traços de personalidade de cada um também têm influência sob pontos considerados fracos.

Por mais que você não saiba verbalizar exatamente qual é a sua vulnerabilidade (o que é normal, fique tranquilo), uma dica para confirmar que a situação pegou na sua ferida é reparar na sua reação. Respostas potencializadas e desproporcionais, que variam de ficar retraído a ficar responsivo, na defensiva, chorão ou agressivo, são indícios de que a dor não é pelo que aconteceu ali naquele instante, mas por um trauma maior que está dentro de você, guardado no arquivo de mágoas da sua história.

O que eu faço com isso?

Ninguém gosta de falar dos seus defeitos ou procurá-los. Dizer algo ruim de si mesmo é desconfortável, basta lembrar aquela situação clássica de entrevista de emprego em que a única coisa negativa que as pessoas citam é “perfeccionismo”. Apesar de estarmos sempre tentando ser perfeitos, se encaixar no grupo ou ganhar aprovação, sabemos que existem mais vulnerabilidades que essa, né?

É engraçado, evitamos falar dos nossos pontos baixos e achamos que assim eles somem, mas eles não arredam o pé, continuam vivendo no seu inconsciente, são parte de nós. Se sua vulnerabilidade é se sentir gordo, por exemplo, é provável que toda vez que você se olha no espelho ou prova uma roupa isso te incomoda e gera aquele sentimento de derrota.

Pense como seria melhor descobrir a raiz desse desconforto, entender como você criou esse preconceito (de achar que se estivesse mais magro, estaria mais feliz) e em vez de se tratar com uma cobrança punitiva, você se cuidar com compaixão.

A ideia é pontuar suas inseguranças, descobrir como foram construídas no seu emocional, abrindo um portal para curá-las. Sei que soa vago, mas é o exercício de ouvir a criança que você foi e que sofreu, parar de puni-la e começar uma transformação de aceitação.

Não é fácil, mas é uma bifurcação: você pode assumir que a ignorância é uma benção e não olhar para as falhas ou optar por se acolher e ser mais leve, entendendo que não existem pontos negativos, e sim, pontos a serem melhorados.

Aceita que dói menos (e aqui o papo fica sério!)

É preciso aceitar o fato de que a gente só cresce e evolui se entra em contato com a nossa dor, se lida com nossa essência e se desvenda. Quem resolve não enxergar as vulnerabilidades corre grandes riscos de se tornar arrogante e prepotente, acreditando ser sem defeitos. Um comportamento assim não transforma, repete ciclos e patina nas mesmas situações sem resolvê-las, acumulando angústias e frustrações. Ou então, se torna aquela pessoa que diz “Esse é meu jeito, ponto. Me respeite,” e que não deixa espaço para ninguém se aproximar, nem ela mesma.

Para agravar, quem se recusa a lidar com a vulnerabilidade não costuma ter ferramentas para reagir quando esbarra com ela e então desmorona e se descontrola. Daí surgem medidas para tentar anestesiar esse sentimento incompreendido, e com isso nos tornamos adultos endividados, obesos e viciados em álcool, drogas e remédios. Um quadro nada bonito ou saudável. Até porque é necessário lembrar que não há como anestesiar apenas sentimentos ruins, e a vulnerabilidade é afogada junto com a alegria, felicidade e gratidão.

É importante se conhecer. Mesmo que não haja repertório para verbalizar o sentimento, se você estiver disposto a passar pelo processo, você aprende. Ao compreender de onde vem as mágoas, medos, receios, fantasmas, você deixa de se afetar tanto, de se cobrar, se punir, com o tempo aprende a lidar com o incomodo e o torna algo familiar. Ela não desaparece, mas você passa a conhecê-la e saber como lidar com ela. Claro que você não aceita seu corpo do dia para noite, mas ao raciocinar de onde vem essa questão, se ela é necessária, focar em você e se amar e cuidar um pouco por dia, você chega lá.

Dicas para se conhecer melhor

Terapia, muita terapia.

Especialistas afirmam que alguns insights não surgem sozinhos ou com amigos na mesa de bar (até porque vulnerabilidades são difíceis de compartilhar). O psicólogo traz uma troca, acompanha, provoca pensamentos, não julga e tem como parâmetro a funcionalidade da sua vida, podendo facilitar sua compreensão e ajudá-lo a construir ferramentas para lidar com inseguranças.

Saia do celular !

Pare de viver no automático e tire um tempo para si. Nem que sejam alguns minutos antes de dormir, conseguir pensar em como você está se sentindo, como está sendo a semana, as relações com seus amigos, familiares, colegas de trabalho, tudo isso faz parte de um autocuidado e auxilia a apontar os incômodos.

Faça um teste!

É interessante fazer uma atividade visual para compreender melhor o que seus pensamentos querem dizer. Escrever em três folhas separadas o que você espera de si, o que acha que o mundo espera e o que gostaria que os outros esperassem auxilia a refletir o que você realmente quer fazer por você e traçar caminhos empolgantes.

Respire fundo!

Encher os pulmões com vontade e prestando atenção ao movimento ajuda a melhorar o foco e a concentração ao mesmo tempo que acalma. Encha os pulmões contando até quatro e inspire também contando até quatro para eliminar a agitação e se concentrar. Meditar é uma alternativa.

Tenha repertório.

Quanto maior é a fonte de informação que o seu cérebro tem, mais conexões e discussões serão possíveis. Busque conhecimento em livros, filmes, séries e até vivências de colegas para construir mais cenários, ter ideias diferentes e compreender melhor o mundo.

Compartilhar dá medo…

Todo mundo tem uma vulnerabilidade. Todos os seres humanos que habitam essa Terra são vulneráveis. O problema é que não somos iguais e não sabemos como o outro vai lidar com a nossa insegurança, ficamos com a impressão que quanto menos souberem, mais seguros estamos.

Agir assim pode ser um mecanismo de defesa, muita gente deixa de compartilhar o que a tortura por dentro com medo do outro usar a fraqueza para ficar mais forte. Mas vale a pena viver com receio? Se preocupar em exagero com sua imagem e com o que os outros pensam só vai fazer você deixar de viver da forma que você genuinamente queria.

A vida perfeita é uma fantasia. Não dá para agradar todo mundo, não dá para pertencer a todo contexto. Você sabe quem merece ouvir você e onde se sente bem. A regra é bom senso. Não precisa se expor para desconhecidos, porém, quando sentir que é lugar e hora e que o outro é confiável, compartilhe. Você fica pelado na frente de todo mundo? A lógica é basicamente a mesma.

Se a pessoa for má e se aproveitar do momento, lembre-se que você tem o poder de colocar essa batata quente no chão, uma vez que já analisou e compreendeu sua vulnerabilidade e está seguro com ela. Desligue o ouvido, se coloque em primeiro lugar e dê menos espaço para este outro.

… Mas dividir conecta!..

Nós precisamos do olhar do outro para nos sentirmos reconhecidos, nascemos precisando do amparo, viramos adultos querendo likes alheios. E pensando nesse contexto, compartilhar sentimentos profundos cria vínculos muito fortes. Quando a gente se expõe é como se o outro ficasse com uma parte nossa, você abre um diálogo, mostra sua humanidade e a troca é profunda.

Quem ouve o desabafo nota que não está sofrendo sozinho e que tem um amigo para dividir angústias, isso cria uma sensação de proximidade, cumplicidade, gera empatia, compaixão, admiração e conexão. A pessoa se torna semelhante a você, se mostra imperfeita e acalma aquele seu lado desesperado que queria se encaixar sendo
encaixar sendo certinho e padrão.

No fim das contas, se torna amigo aquele que te acolhe na vulnerabilidade e ajuda a sair dali com força, pois não é a perfeição que desperta o afeto, pelo contrário, é se identificar que proporciona esse elo, e todos nós somos capazes de nos relacionar com vulnerabilidades.

Até quando famosos fazem isso nos afeta. Ouvir que a Gisele Bündchen já lidou com a depressão causa comoção, notar que um símbolo de perfeição também tem problemas aproxima você da imagem da modelo. Além do fato de que dividir as vulnerabilidades de tal forma abre espaço para debater temas sensíveis e necessários, como saúde mental neste caso.

Conseguimos viver em sociedade por criar essas pontes de empatia, e a conexão só ocorre quando nos deixamos ser vistos de verdade, por inteiro, tendo coragem de ser imperfeito. Aceitar as vulnerabilidades é amar com toda força mesmo sem garantias. Tenha a compaixão de ser gentil consigo antes dos outros, não se freie por inseguranças, diga eu te amo antes, use a roupa que quiser, defenda suas vontades, faça as pazes com você.

As vulnerabilidades vão mudar durante a vida e de acordo com os acontecimentos que atravessarem o seu caminho, mas se você souber gerenciá-las você sempre irá crescer e progredir. Se conheça, se liberte e cresça.

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Fonte:Viva Bem

Beijos da Cris!